Putin dá início à maior convocação militar da Rússia em mais de uma década

 A Expansão Militar da Rússia e o Cenário Geopolítico Atual

A recente decisão do presidente russo Vladimir Putin de convocar 160 mil homens entre 18 e 30 anos marca um novo capítulo na estratégia militar da Rússia. Esta é a maior convocação desde 2011 e reforça a intenção de aumentar as Forças Armadas, elevando o contingente total para 2,39 milhões de oficiais, incluindo 1,5 milhão de soldados ativos.



O Contexto da Convocação

Essa ampliação do exército ocorre em meio às crescentes tensões no conflito com a Ucrânia. O vice-almirante Vladimir Tsimlyansky assegurou que os novos recrutas não serão enviados para combate na Ucrânia, mas há relatos de soldados enviados para a linha de frente nos primeiros meses da guerra.

A campanha de recrutamento acontece em paralelo às tentativas americanas de negociar um cessar-fogo. Entretanto, os confrontos continuam, com ataques russos à infraestrutura ucraniana e avanços territoriais na região de Donetsk.

Mudanças na Política Militar Russa

A convocação militar semestral da Rússia tradicionalmente ocorre na primavera e no outono do hemisfério norte, mas a atual mobilização supera em 10 mil soldados a do mesmo período de 2024. Desde 2023, houve um aumento no número de jovens aptos ao recrutamento, pois a idade máxima foi elevada de 27 para 30 anos. Além do correio, as notificações agora também são enviadas via plataforma digital Gosuslugi.

Ademais, a Rússia não depende apenas do recrutamento interno: contratou militares mercenários e recebeu apoio de soldados norte-coreanos. Essa estratégia visa compensar as mais de 100 mil baixas confirmadas por fontes independentes, um número que pode ser significativamente maior.

A Resposta da OTAN e dos Países Vizinhos

Desde o início da guerra na Ucrânia, a expansão da OTAN tem sido um fator de tensão para Moscou. A adesão da Finlândia e da Suécia à aliança militar ocidental foi uma resposta direta às ações russas.

A Finlândia, que compartilha 1.343 km de fronteira com a Rússia, anunciou que se retirará da Convenção de Ottawa, permitindo novamente o uso de minas antipessoais. A Polônia e os Estados Bálticos tomaram medidas semelhantes, justificando que suas ações são necessárias diante da ameaça militar russa.

Aumento dos Gastos Militares na Europa

O governo finlandês também anunciou que seu orçamento militar aumentará para 3% do PIB, em comparação com os 2,4% de 2023. Esse movimento reflete uma tendência mais ampla de rearmamento na Europa, impulsionada pelas incertezas provocadas pelo conflito na Ucrânia.

A decisão de Putin de expandir as Forças Armadas é um sinal claro de que a Rússia está se preparando para um conflito prolongado. A resposta dos países vizinhos e da OTAN indica que a segurança na região continuará sendo um tema de extrema relevância na geopolítica mundial. O impacto dessa expansão militar russa e a reação ocidental moldarão o futuro da segurança europeia nos próximos anos.

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